No âmbito do projeto “Douro em Movimento, Aldeias com Vida”, promovido pela Douro Generation e a Rede de Aldeias Vinhateiras, com o cofinanciamento do Norte 2020, e numa perspetiva de maior desenvolvimento da região e das comunidades que nela vivem e trabalham, realizaram-se cinco Encontros Clube Douro Mágico para debater várias temáticas, tendo como principal objetivo “promover o empreendedorismo na região”.

A 25 de janeiro, no Régia-Douro Park, a temática foi “Agrobusiness”.

Pretende-se promover o empreendedorismo na região do Douro, em particular do sector do Agrobusiness, pelo que se propõe a reflexão sobre os desafios e as oportunidades no sector, facilitando o contacto entre os diversos stakeholders, com o objectivo da partilha de experiências e desenvolver oportunidades de negócio.

Paulo Costa, Douro Generation

  • Quando olhamos para o Douro temos de olhar para este novo sector do Agrobusiness e perceber como o podemos encaixar.
  • Importa perceber que o Douro tem tudo a ver com o Agronegócio.
  • Já que institucionalmente não nos oferecem Rede, só há uma forma de o fazer que é unirmo-nos em pequenos grupos, criar um valor completo diferenciado e que nos permite ser mais competitivos.
  • A unidade é fundamental para ganhar escala, uma visão 360 de valor agregado.

A Sessão de Esclarecimento foi composta por duas apresentações:

Tendências e evolução do Agrobusiness em Portugal – Rui Martins | MARKTREE

Desafios e Oportunidades no Agrobusiness – António Graça | Câmara Municipal de Sabrosa

Rui Martins, Marktree – Tendências e Evolução do Agrobusiness em Portugal

Importante para o sucesso nesta área do Agrobusiness é criar categorias e classificações – “Temos e construir o produto de fio a pavio”.

No Douro é necessário ter escala e para ter escala as pessoas têm que se unir.

Para tornar o produto apetecível e de valor acrescentado é muito importante a imagem. Se um produto não tiver uma imagem apelativa não é apetecível.

Optimizar é a palavra de ordem, aproveitar as submatérias, evitar o desperdício e acrescentar ainda mais valor.

Importância da Experiência – “Por exemplo uma loja de produtos da região tem de ter uma história para contar e cativar. “

António Graça – Desafios e Oportunidades no Agrobusiness

Os pequenos produtores começam a não ter muita visibilidade, porque os grandes começam a ter a sua quota de produção necessária.

Há pequenos ou micro produtores com seis mil metros quadrados de vinha, “são autênticos jardineiros de paisagem”. O que vai acontecer quando eles desaparecerem?”

Azeites – novo produto, com aposta no DOP, pretende-se uma marca protegida.

As questões do azeite não são tão complicadas, ao nível da produção, têm tido sucesso no mercado.

Relativamente à Fruta, existe já um grande volume de investimento e têm-se aguentado sem grandes problemas.

Fumeiro, sobrevivem à custa faz Feiras do Fumeiro.

Baga do Sabugueiro – Processo de inovação, hoje já há plantações.

O seminário foi realizado no formato “Mesa Redonda” e procurou responder às seguintes questões:

  – Como estimular e promover o empreendedorismo na área do Agrobusiness na região do Douro?

 – Quais as oportunidades?

 – Quais são os factores bloqueadores e como os ultrapassar?

Oradores convidados:

Alexandrina Fernandes | Projecto Bísaro

Rui Martins | Marktree

Adriano Casal Ribeiro | José Gourmet

Moderador:

Pedro Palha | PwC Portugal

Adriana Casal Ribeiro

O Douro vai ser fantástico em 10 anos. Isto vai ser tudo alavancado, a dúvida é se os atores vão ser os estrangeiros ou a população da região.

O que é difícil é encontrar as estratégias, encontrar os produtos certos. É preciso ter projectos e ter estratégias.

Alexandrina Fernandes

Só vamos conseguir subir na cadeia de valor se for um produto diferente, com uma base científica que o comprove.

Só é possível com conhecimento e ir à luta, criando sinergias.

Faz 32 feiras por ano. Aprendem muito nestas participações, nomeadamente a direccionar o produto.

Uma forma de Story Telling é trazer os clientes às instalações, no caso do projecto Bísaro percebem como é que os animais são criados, o que traz reconhecimento e valorização.

No mercado internacional, procuram adequar os preços aos produtos similares nesses mercados.

José Laranjo

O sector da castanha estava completamente desligado e esta Associação, a REFCast,  veio dar-lhe mais acessibilidade e conhecimento em termos de contacto com as entidades politicas e órgãos de comunicação social.

É um sector em franco crescimento.

É no Douro da Média e Alta Montanha que esta cultura se pode considerar um sucesso.

A castanha dá valor acrescentado ao produto acabado.

O que tem faltado ao sector Associativo são gestores profissionais. Há grandes falhanços no Douro, mas há outros casos de sucesso, como é exemplo a Adega de Vila Real que está a dar passos muito fortes com excelente relação qualidade/preço.

Há uma vasta zona do Douro onde começa a ser marginal para zona de vinho. São terrenos para produção com enorme potencial para a castanha.

O modelo de produção da castanha tem de se adequar aos novos tempos, ou seja, com a rega, tratamento, fertilização.

O país não precisa de importar castanha, as estruturas existentes têm dimensão.

Rui Martins

O Douro tem tanta coisa, o desafio está na agregação. A perspectiva 360 que não se fica apenas num produto.

Temos espaço no mercado europeu.

Sublinhou a importância da comunicação. A forma como nos apresentamos pode fazer toda a diferença.

José Damião, Wine Villages

Ao nível da requalificação, o investimento feito nas Aldeias Vinhateiras foi o pior trabalho que já fizemos no nosso território.

Tinham em vista atrair mais visitas, mas não temos os atores, não demos às pessoas que ali vivem as ferramentas para receber os turistas.

As aldeias têm que ser muito mais que isto e a solução passa a ser a Rede, nomeadamente através o novo sector Agrobusiness.

É preciso criar experiências, criar rede e capacitar os empreendedores locais e os habitantes.

É preciso mais gente a criar experiências, criar um conceito diferente a quem nos vai visitar. Nós temos uma identidade, temos de a aproveitar para ver a crescer.

Os autarcas são parceiros, não podem ser líderes neste processo, que sejam os empreendedores a fazê-lo com a parceria dos municípios.

Temos património, paisagem, gastronomia e não temos estado organizados. É bom que cheguem outros players.

No sector do Agrobusiness:

  1. O Douro deve unificar-se e trabalhar em Rede;
  2. A região precisa de criar escala;
  3. É importante definir projectos e uma estratégia comum;
  4. É cada vez mais necessário associar uma experiencia ao produto – story-telling.
  5. O Douro de média e alta montanha apresenta-se como uma oportunidade de negócio para a castanha;
  6. No agro-negócio a comunicação também assume um papel preponderante – forma como se apresentamos no mercado.
  7. Os municípios querem ser parceiros de novos players.

No final decorreu uma Mostra de Produtos Douro Mágico, onde foram mostrados e degustados alguns dos melhores sabores da região.