No âmbito do projeto “Douro em Movimento, Aldeias com Vida”, promovido pela Douro Generation e a Rede de Aldeias Vinhateiras, com o cofinanciamento do Norte 2020, e numa perspetiva de maior desenvolvimento da região e das comunidades que nela vivem e trabalham, realizaram-se cinco Encontros Clube Douro Mágico para debater várias temáticas, tendo como principal objetivo “promover o empreendedorismo na região”.

A 11 de janeiro, no Museu do Douro, a temática foi “Turismo 2027”.

Pretende-se promover o empreendedorismo na região do Douro, em particular do sector do Turismo, pelo que se propõe a reflexão sobre a Estratégia do Turismo 2027 e sobre os desafios e as oportunidades no sector, facilitando o contacto entre os grupos económicos nacionais e start-ups, estudantes e outras organizações, com o objetivo da partilha de experiências e desenvolver oportunidades de negócio.

A Sessão de Esclarecimento foi composta por duas apresentações sobre a temática Turismo 2027:

Estratégia de Turismo 2027 – Nuno Fazenda | Turismo de Portugal

Desafios e Oportunidades no Turismo – Miguel Belo | PwC Portugal

Estratégia de Turismo 2027 – Nuno Fazenda | Turismo de Portugal:

– Considerou ser fundamental na Estratégia Turismo 2027: ouvir os mercados, ouvir as regiões, ter um meio onde todos podem participar – o website.

– Elencou, depois, aspetos positivos e negativos:

Aspetos positivos: autenticidade, segurança, História e Cultura, supera expetativas, diversidade de oferta, relação preço-qualidade, aumento da acessibilidade aérea.

Aspetos negativos: estrutura produtiva, necessidade de melhorar a oferta, recursos humanos qualificados, informação sobre o que existe em Portugal, notoriedade, promoção mais eficaz, coordenação entre entidades regionais de turismo, informações e condições de mobilidade para visitação.

Lembrou a importância de eventos de impacto e citou o Douro Rock e a Meia Maratona do Douro Vinhateiro.

“É importante que a informação chegue ao turista da forma mais completa: transportes, acessibilidades, serviços de saúde, etc. É crucial que a experiência oferecida seja personalizada. Não há estratégias perfeitas, mas há estratégias trabalhadas”.

O mais importante no turismo é acrescentar valor.

A base do turismo sustentável: Território coeso; destino inovador e competitivo; trabalho valorizado, investimento; Destino inclusivo, aberto e ligado ao mundo; destino especializado para o turismo.

Ativos diferenciadores: água; natureza; história e o clima.

Ativos qualificadores: eventos

Ativos emergentes: bem-estar.

O foco deve estar nas pessoas: turistas, trabalhadores e residentes, para a melhoria da qualidade de vida

 

Desafios e Oportunidades no Turismo – Miguel Belo I PwC Portugal

Apresentou alguns dados estatísticos relativos a 2017.

Defendeu uma maior participação dos privados na promoção do Destino Turístico.

Considerou importante uma visão holística na estratégia do destino, para não acontecer rejeição de fluxos turísticos.

Para haver sustentabilidade é fundamental apostar na capacitação dos empresários.

Deu nota, com números, do crescimento do turismo no Douro e lembrou os Produtos Turísticos do Douro: Cruzeiro flúvio-marítimo; Natureza; Cultura; Gastronomia, Vinhos/Quintas.

Enunciou desafios:

  1. Reforço da mobilidade na cidade do Porto e na Região Norte;
  2. Sensibilização dos parceiros públicos para operar em rede e captação dos privados;
  3. Atração de recursos humanos qualificados, melhorando a oferta de emprego pela remuneração e pelas condições de fixação;

Os fatores ambientais pesam na escolha do turista, bem como as acessibilidades.

O aeroporto do porto recebe 10,8 milhões de passageiros, mas dormem mais no Porto do que noutros locais da região.

Deve dar-se cada vez mais importância à experiência. O turismo procura história.

O seminário foi realizado no formato “Mesa Redonda” e procurou responder às seguintes questões:

  – Como estimular e promover o empreendedorismo na área do turismo na região do Douro?

 – Quais as oportunidades?

 – Quais são os factores bloqueadores e como os ultrapassar?

Oradores convidados:

Nuno Fazenda | Turismo de Portugal

Jorge Almeida | Vidago Palace

Bruno Ribeiro | Douro Azul

Moderador:

António Correia | PwC Portugal

Jorge Almeida lembrou que, quando pensa em promoção externa do seu hotel, o associa à marca Douro Valley, porque é forte e há toda a vantagem em ligar o Douro a Trás-os-Montes. Pode ser difícil promover Trás-os-Montes e o Douro, mas é fundamental fazê-lo, afirmou.

Também considerou haver um problema com os Recursos Humanos, que fogem, que não querem vir para cá.

Valorização da pro-atividade e o contacto com as pessoas. O turismo mais inteligente e mais acesso à informação.

Bruno Ribeiro considerou que turismo é uma indústria (atividade) de pessoas para pessoas.

É importante desmistificar a questão das distâncias, visto que o douro já não é assim tão longe.

Falou das dormidas nos barcos-hotel (200 000, em 2017) e questionou: onde caem?

Informou que, sistematicamente, auscultam os clientes, para avaliar o que está bem e saber o que deve ser melhorado.

A grande aposta da empresa é na mão-de-obra qualificada. Deu exemplo da iniciativa Open Day para que os candidatos a determinado emprego possam conhecer o dia-a-dia a bordo.

Apostam numa estratégia concentrada no país como um todo e não como regiões.

António Correia lembrou o problema da sazonalidade.

Um participante colocou a questão da cooperação, referiu haver várias possibilidades de serviço ao turista no cruzeiro, desde animação a outro tipo de oferta, como degustações.

Um outro lembrou a venda de vinho em regiões vinhateiras e comparou o Douro (vende 500 milhões) à região de Champagne, que vende 5 mil milhões.

Carlos Carvalho, Presidente da Wine Willages – Associação para o Desenvolvimento da Rede de Aldeias Vinhateiras do Douro

Tem havido um adormecimento das Aldeias Vinhateiras do Douro relativamente ao investimento que foi feito e em dissonância com a população, que denota que as pessoas entendem que não fizeram parte da decisão.

A criação da Associação passou por criar uma dinâmica que não tinha existido até à implementação deste projeto [Douro em Movimento, Aldeias com Vida].

As Câmaras das Aldeias Vinhateiras estão em conversações para agarrar novamente a Rede das Aldeias Vinhateiras, pois com este projeto existe agora um maior know-how, para que outros atores possam avançar, no sentido de fortalecer a Rede e quem sabe até alargá-la.

A Marca Aldeias Vinhateiras é fabulosa e forte e temos vindo a aproveitá-la menos bem.

Lembrou a importância do papel da CIM Douro e da cobertura em WI-FI para o desenvolvimento do turismo na região.

  1. O turista deve ser mais bem informado;
  2. A experiência tem cada vez mais importância e deve ser vista como uma oportunidade de captar mais turistas;
  3. O foco deve ser responder às necessidades do turista.
  4. Turismo sustentável, fatores ambientais são tidos cada vez mais em conta.
  5. Projeto das Aldeias Vinhateiras do Douro deve ser revitalizado enquanto importante produto turística da região.

No final decorreu uma Mostra de Produtos Douro Mágico, onde foram mostrados e degustados alguns dos melhores sabores da região.