No âmbito do projeto “Douro em Movimento, Aldeias com Vida”, promovido pela Douro Generation e a Rede de Aldeias Vinhateiras, com o cofinanciamento do Norte 2020, e numa perspetiva de maior desenvolvimento da região e das comunidades que nela vivem e trabalham, realizaram-se cinco Encontros Clube Douro Mágico para debater várias temáticas, tendo como principal objetivo “promover o empreendedorismo na região”.

A 01 de fevereiro, no Régia-Douro Park, a temática foi “Vinho”.

Pretende-se promover o empreendedorismo na região do Douro, em particular do sector do Vinho, pelo que se propõe a reflexão sobre os desafios e as oportunidades no sector, facilitando o contacto entre os diversos stakeholders, com o objectivo da partilha de experiências e desenvolver oportunidades de negócio.

Emídio Gomes, UTAD

  1. Olhar para este tema numa lógica de 360º é mudar e melhorar. A cada dia que passa somos mais exigentes e o Douro tem oportunidades.
  2. Sobre o vinho – os últimos dados revelam que a colheita global de 2017 é de cerca de 250 mil pipas de produção na região demarcada: 120 mil destinados a Vinho do Porto, 60 mil DOC Douro e sobram entre 60 a 80 mil que são “oferecidos” pelos produtores. Este facto é um desafio enorme para os anos futuros.
  3. É necessário aumentar a competividade dos territórios e olhar para as microempresas.
  4. Há muito a fazer nas Aldeias Vinhateiras do Douro, há uma imensidão de oportunidades.
  5. Só é possível criar riqueza com tecido empresarial.

A Sessão de Esclarecimento foi composta por duas apresentações sobre a temática Vinho:

Situação actual e Tendências no Setor – Tim Hogg | Plataforma de Excelência do Vinho e da Vinha

Desafios e Oportunidades no sector do Vinho – José Manso | ADVID

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Tim Hogg, Plataforma de Excelência do Vinho e da Vinha da UTAD – Situação atual e tendências no Setor.

Existem muitas ideias díspares sobre as tendências no sector do vinho.

Mas há regras gerais que se aplicam:

 – Cada pessoa que está a produzir vinho tem de se conhecer a si próprio;

– Têm de conhecer quem são os seus clientes;

– Têm de ter o conhecimento da tradição e modernidade.

Indicou um site onde se podem analisar dados importantes: www.wine-searcher.com

Tendências:

– Vinhos naturais/biológicos

A inovação ao nível do Packaging

– Vinho em lata

– Vinho em embalagem Tetra Park

Defende as iniciativas colectivas para o desenvolvimento.

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José Manso, ADVID – Desafios e Oportunidades no Agrobusiness

– O empreendedorismo faz parte do ADN do Douro. Faz parte. É o Douro. A vinha faz parte da nossa identidade e vale a pena continuarmos a trabalhar nesse sentido.

– O clima é dinâmico, a vinha já mostrou que tem capacidade de adaptação. A vinha será mesmo das culturas com maior capacidade de adaptação.

– O Douro é dono de uma paisagem viva e evolutiva – Património Mundial desde 2001 – revela empreendedorismo.

– Análise SWOT

– Junção das Oportunidades e dos Pontos Fortes permite maior resiliência.

– Pontos fracos permitem Melhorar e Inovar – exemplo vinhos naturais e biológicos – procurar algo que desperte a atenção do consumidor – o que leva à complementaridade.

– União e partilha de esforços são uma boa estratégia para combater as Ameaças. – Exemplo a necessidade de fazer a vindima em Agosto (como aconteceu em 2017).

O seminário foi realizado no formato “Mesa Redonda” e procurou responder às seguintes questões:

  – Como estimular e promover o empreendedorismo na área do Vinho na região do Douro?

 – Quais as oportunidades?

 – Quais são os factores bloqueadores e como os ultrapassar?

Oradores convidados:

Rui Fraga | ITA (iNTELLIGENCY TRADEING AGENCY)

José Arruda | Associação Municípios Portugueses do Vinho

Filipe Carvalho | The Fladgate Partnership

João Nápoles | Parceiros na Criação

Moderador:

José Manso | ADVID

José Arruda

As entidades públicas têm um papel fundamental para levar à vante grandes projectos.

Trabalhar em Rede é o que a Associação procura fazer, trabalhando todos os territórios.

Falou dos projectos da Associação, como é o caso de “As sete Maravilhas à Mesa” em cada uma das regiões da NUT II, com o apoio da RTP. Procuramos que cada Município apresente os produtos das regiões, fazer uma grande divulgação do que fazemos de bem.

Há uma grande procura do Douro quando estamos fora da região – “Perguntam-nos muito, por exemplo no Brasil”.

Rui Fraga

A questão do vinho tem- se mantido como um desafio grande.

Temos história, território, turismo, vinho. E agora? Esta é a questão que se coloca e na maior parte das vezes não encontramos as respostas.

O empreendedorismo é estar permanentemente à procura da resposta à pergunta “E agora?”.

A região é fantástica, “temos tudo”, mas é preciso adoptar várias dimensões, análises e propostas para o mesmo produto.

Filipe Carvalho

A nossa região é uma região de passado, com história. As marcas com que trabalha mantêm-se fiéis ao Vinho do Porto, porque acreditam no registo da tradição, pois “a região nasceu para o vinho do Porto”.

A empresa Taylo´s tem uma história de mais de 325 anos, sempre na mesma família. Estão representados em 102 países – “O vinho do Porto sempre foi considerado 1 produto de exportação”.

A inovação tem de estar sempre presente – “ o vinho é um aglutinador, é turismo, é gastronomia, é municípios, etc…”

Também a empresa onde trabalha viu-se obrigada a ser inovadora – “ é importante arriscar, passar do papel à prática” – em 2002 lançaram o primeiro vinho do porto orgânico e o primeiro vinho do porto Rosé. – “Havia necessidades no cliente e no consumidor de encontrar um novo produto”.

Filipe Carvalho considera que a inovação não está, no entanto, só no produto – “pode ser um sub-produto, a inovação no conal de vendas pode ser uma inovação para o futuro nesta área” . “ O mercado está a ser mais rápido do que as instituições e empresas”.

DOC Douro é uma oportunidade.

João Nápoles

“Parece que nos últimos anos os produtores de vinho não pararam de inovar. Tentamos perceber quais as vinhas que nos interessavam mais, tentamos fazer vinhos com alguma identidade para transmitir às pessoas o que de melhor fazemos.”

No entanto, “o vinho por si só não chega. Há produtos que estão a ser melhorar tratados na região”.

João Nápoles considera que “as Aldeias Vinhateiras não estão a ser devidamente aproveitadas, tem de haver mais dinamismo”, para que a marca funcione de forma sustentada “e não por dois ou três dias”.

José Arruda

Considera que o papel dos municípios “ tem a ver com o trabalho de organizar os espaços, saber onde comer, onde dormir que espaços visitar”, funcionando como complementaridade para os parceiros privados, para um trabalho conjunto.

Carlos Carvalho, Wine Villages

Sublinhou a importância de fazer um levantamento gastronómico na região para responder à pergunta – “Quais são os pratos típicos da região?” para que o vinho encontre neste sector a complementaridade.

Relativamente às Aldeias Vinhateiras há trabalho a fazer e “ todos os municípios, onde elas se inserem, têm consciência que é preciso fazer mais”.

O sector do vinho conseguiu reinventar-se com os vinhos DOC, um sector muito mais equilibrado – “nos municípios existe uma consciência de que sozinhos não vamos a lado nenhum e estamos atentos para conseguir criar valor acrescentado”.

“O Douro é uma questão de investimento constante no futuro”.

No sector do Vinho:

  1. Conhecimento, tradição e modernidade são palavras de ordem para o sector do vinho;
  2. O Douro continua a ser uma região de oportunidades e desafios para os empreendedores;
  3. Turismo e a gastronomia têm de ser sectores de complentaridade para o vinho;
  4. Inovação deve estar sempre presente – criação de sub-produtos.
  5. Vinhos DOC e vinhos orgânicos são uma prova dada pelos produtores do vinho da região em resposta à necessidade de inovar.

No final decorreu uma Mostra de Produtos Douro Mágico, onde foram mostrados e degustados alguns dos melhores sabores da região.