A Douro Generation e a Rede de Aldeias Vinhateiras organizaram, entre 8 e 10 de junho de 2017, o Encontro Internacional “Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – Agenda 2030, com os Patrimónios Mundiais da UNESCO“.

Este Encontro Internacional teve lugar em Lamego e Vila Real, no âmbito da World Generation Week e do projeto “Douro em Movimento, Aldeias com Vida”, cofinanciado pelo Norte 2020.

Sinopse

A Douro Generation, a Rede de Aldeias Vinhateiras do Douro e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, assinam o projeto “Douro em Movimento, Aldeias com Vida” que visa a preservação,  valorização e promoção do Douro, Património Mundial da UNESCO.

Este projeto integra o programa “World Generation Project” que tem vindo a realizar ações nacionais e internacionais no sentido de promover a cooperação entre Patrimónios Mundiais e as regiões em que estão inseridos, enaltecendo a riqueza histórica, cultural, ambiental e socioeconómica de cada um deles.

Porque estamos no ano do Turismo Sustentável, em plena implementação da Agenda 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Douro Generation e a Rede de Aldeias Vinhateiras promovem o Encontro Internacional, durante a World Generation Week.

O objetivo do Encontro é reunir representantes dos Bens-Patrimónios classificados pela UNESCO, entidades e cidadãos da comunidade científica, empresarial e social, que se preocupam com o Património, as Regiões e o Desenvolvimento Humano.

Pretende-se que os participantes apresentem, discutam e contribuam com propostas e projetos, com vista à cooperação internacional.

 

Temática Central
Formas de cooperação para a preservação, valorização e promoção dos Sítios classificados pela UNESCO como Patrimónios Mundiais, e o contributo para o desenvolvimento das regiões, povos e nações.

Temas/Dias/Local

Dia 8 de Junho 2017, Museu de Lamego
Ambiente e Turismo Sustentável

Dia 9 de Junho 2017, Teatro de Vila Real
Sociedade, Educação e Património

Dia 10 de junho de 2017, Claustros do Governo Civil
Carta de Cooperação

Sinopse

No ano do Turismo Sustentável, em plena implementação da Agenda 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a Douro Generation e a Rede de Aldeias Vinhateiras do Douro promoveram a discussão dos temas do Ambiente e do Turismo Sustentável, áreas de grande relevância para a região do Alto Douro Vinhateiro, que cada ano se afirma mais forte no setor do Turismo. Os temas foram abordados numa perspetiva de informação e cooperação entre as regiões.

 

14H30 Sessão de Abertura

Francisco Lopes (Presidente da Câmara Municipal de Lamego)

António Ponte (Direção Regional da Cultura do Norte)

Célia Ramos (Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza)

 

15H00 Conferência
Moderador: Luís Sebastian

Desafios e oportunidades da estratégia de sustentabilidade do Turismo (Ana Cláudia Coelho – PriceWaterhouseCoopers)

Cátedra Geoparques (Artur Sá Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro)

Boas Práticas Vitivinícolas (José Manso – Associação para o Desenvolvimento da Viticultura Duriense)

Estratégia “Valorizar uma aposta no Turismo” (Luís Coito – Turismo de Portugal)

Turismo Cultural (Rosário Machado – Rota do Românico)

Coesão Territorial (Beatriz Alonso Ballesteros – Duero-Douro Património para el Desarrollo)

Biosphere Turismo Sustentável (Patrícia Araújo – Biosphere Responsible Tourism Portugal)

O Desenvolvimento Sustentável – caso da Cidade Velha (Jair Fernandes – Sustentar – ONG Cabo Verde)

 

17h30 Debate

18h00 Encerramento: Porto de honra

Sinopse

Estes são tempos de melhoria económica e social num mercado competitivo global, onde a necessidade de cooperar é um imperativo. Neste sentido, e com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, pretendeu-se discutir programas e intervenções em várias áreas comuns: Ambiente, Economia, Educação e Património.

 

09H30 Rede de Aldeias Vinhateiras do Douro
Moderador: Helena Freitas (Unidade de Missão para a Valorização do Interior)

Carlos Carvalho (Rede de Aldeias Vinhateiras do Douro)

Rui Simão (Rede de Aldeias do Xisto)

Dalila Dias (Aldeias Históricas de Portugal)

 

11H00 Sociedade, Educação e Património
Moderador: Luzia Oca González

Rede Social e Saúde (Domingos Nascimento – Rede Social e Saúde)

Igualdade de Género (Paula Castelar – Museu Internacional da Mulher)

Gastronomia e Vinhos (Paulo Vaz – Escola de Hotelaria e Turismo do Douro – Lamego)

Indústrias Criativas (Andreas Hoffmann – Artic Culture Lab)

Residências Artísticas (Teresa Albuquerque – Instituto Internacional Casa de Mateus)

Clubes UNESCO (Anna-Paula Ormeche – Comissão Nacional da UNESCO)

 

14h00 Lusofonia: um Património Imaterial. Desafios dos Sítios Classificados pela UNESCO
Moderador: Embaixador Lauro Moreira

Cidade Velha, Cabo Verde (Charles Akibodé e Ana Samira Silva)

Ilha de Moçambique, Moçambique (Saíde Amur Gimba)

Salvador, Brasil (Cláudio Tinoco)

Fundação Oriente (Joana Belard da Fonseca)

União de Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA) (João Laplaine Guimarães)

Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) (Manuel Clarote Lapão)

 

16h30 Boas Práticas e Desafios das Redes dos Sítios Classificados pela UNESCO
Moderador: Embaixador Francisco Seixas da Costa

Alto Douro Vinhateiro (Portugal) (Helena Teles)

Lás Médulas (Espanha) (Jimena Martinez)

Val de Loire entre Sully-sur-Loire et Chalonnes (França) (Myriam Laidet)

Portovenere, Cinque Terre e Ilhas (Itália) (Matteo Perrone)

Wachau (Áustria) (Michael Schimek)

 

17h30 Debate

18h00 Conclusões
Artur Cristóvão – Vice-Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

Sinopse

Uma parte decisiva da consagração dos Bens classificados pela UNESCO como Património Mundial assenta no modo como a respetiva importância é reconhecida pela opinião pública. Para tal, a comunicação social tem um papel da maior importância. Neste sentido, o último painel foi constituído por figuras da comunicação social da lusofonia, que refletiram sobre a imagem do Alto Douro Vinhateiro, mais de década e meia decorrida sobre a sua consagração pela UNESCO. Pretendeu-se uma análise “exterior”, que refletisse sobre o modo como esse património se projetou no imaginário cultural, económico e turístico, nacional e estrangeiro, lançando ideias sobre como vir a melhorar futuramente essa abordagem.

10h00 Importância da comunicação na valorização do Património Mundial
Moderação: Embaixador Francisco Seixas da Costa e Luís Henrique

Jorge Montesinho

Mugassy Octaviano

Luís Mendonça

11h30 Sessão solene nos claustros do Governo Civil de apresentação da Carta de Cooperação, com a presença de:

António Martinho – Presidente da Douro Generation

Ricardo Magalhães – Vice-Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte

Rui Santos – Presidente da Câmara Municipal de Vila Real

As conclusões do Encontro Internacional de Patrimónios Mundiais UNESCO foram apresentadas publicamente pelo Prof. Artur Cristóvão, Vice-Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro:

O mais importante foi a REDE que se teceu neste Encontro, que há que transformar num ativo ao serviço do FUTURO.

  1. Foram cerca de 30 comunicações em torno do Património Mundial e das Chancelas UNESCO, dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo Sustentável, que atravessaram vários continentes.
  2. Verificou-se um amplo consenso quanto a muitos aspectos debatidos, nomeadamente: a consciência das mudanças profundas no mundo, em termos de poder económico, demografia, clima e escassez de recursos, urbanização e avanços tecnológicos; a importância das abordagens colaborativas e participativas, no turismo, no património e no desenvolvimento em geral; a importância do património, material e imaterial, nas dinâmicas de desenvolvimento; o valor das chancelas UNESCO, em termos de oportunidades e benefícios, assim como os seus riscos, em termos de turistificação e massificação; o valor do conhecimento e da investigação; a importância das abordagens transfronteiriças e multiculturais. No que toca às chancelas UNESCO, referiu-se que podem criar pressão sobre os residentes de um local, mesmo expulsando-os, e atrair novos residentes com outro perfil. Sublinhou-se, neste âmbito, a necessidade de estabelecer regulamentos, de envolver a comunidade de residentes e de trabalhar articuladamente com vários parceiros, numa abordagem ética do património.
  3. No que toca às Redes de Aldeias, destacou-se a sua relevância estrutural, a importância de se aprofundar o trabalho de valorização dos recursos ligados à sua identidade, a necessidade de promover formação e partilha de saberes entre gerações.
  4. Em matéria de sociedade, educação e património, verificou-se que há experiências com relevo na promoção da qualidade de vida e do bem estar das pessoas e comunidades, em áreas como a educação e a saúde, assim como na diferenciação dos territórios, com impactos positivos na fixação de pessoas, contrariando tendências de esvaziamento demográfico. Por outro lado, sublinhou-se a necessidade de esbater fronteiras mentais e geográficas, quer no aproveitamento da diversidade, na troca de experiências ou no reconhecimento da igualdade de direitos. Finalmente, registou-se a centralidade da criação de espaços de formação assentes na cultura e promotores da coesão social e territorial.
  5. Relativamente aos desafios e boas práticas em sítios UNESCO; foram destacados sete pontos:
    1. Há que manter o foco no desenvolvimento territorial ou integrado;
    2. Há que manter o investimento na preservação, revitalização e valorização do património;
    3. A participação comunitária e o compromisso coletivo são essenciais;
    4. A formação de jovens e adultos é uma mais valia;
    5. Os sítios beneficiam da relação entre si e do envolvimento de outros atores, como exemplificado pela UCCLA, a CPLP e as Redes;
    6. A escassez de recursos obriga a trabalho conjunto e focado na criatividade;
    7. A gestão e monitorização são fundamentais para construir sustentabilidade;
    8. O declínio populacional, abandono de atividades tradicionais e emergência de novas atividades (turismo de massas) podem traduzir-se num risco para o sítio;
    9. O património tem de “ser (sobretudo) bom para quem mora”, significando mais autoestima, mais oportunidades e melhor qualidade de vida.