Entre 6 e 9 de dezembro de 2016 a Douro Generation e a Rede de Aldeias Vinhateiras do Douro organizaram uma missão a Cinque Terre, Itália, no âmbito do desenvolvimento da Rede World Generation para a cooperação entre sítios classificados como Património Mundial.

Esta iniciativa foi cofinanciada pelo Norte 2020 no âmbito do projeto “Douro em Movimento, Aldeias com Vida”.

Objetivos

  1. Conhecer melhor o Bem cultural classificado pela UNESCO, tal Alto como o Douro Vinhateiro, Património da Humanidade
  2. Partilhar experiências
  3. Preparar um Protocolo de Cooperação.

Cinque Terre é um pequeno território da Ligúria, na Riviera italiana, classificado pela UNESCO como Património da Humanidade, enquanto “Paisagem Cultural”, vizinho de uma área marinha igualmente classificada e protegida. As semelhanças com o Douro são visíveis: vinhedos ancestrais de montanha que dão origem a vinhos com características particulares, presença de olivais e de árvores de citrinos dispersas, num conjunto marcado pelo mar Mediterrâneo, que bordeja o território, e tendência para o decréscimo da população, que hoje é de cerca de 4.000 habitantes.

As diferenças, porém, são enormes: o abandono da atividade agrícola tem sido galopante e as vinhas em produção passaram em escassos 20 anos de 1.000 para menos de 100 ha e o olival de 400 para escassos 4 ha, independentemente do investimento público promovido pelo Parque Natural.

Com a atual existência de infraestruturas recentes, tal como um lagar de azeite (encerrado por falta de utilização) e de uma adega cooperativa, cujo vinho típico, o SCIACCHETRÀ é comercializado a 35,00 euros/garrafa, o desenvolvimento do turismo tem sido exponencial.

A partir de 2012, sobretudo, este crescimento turístico deve-se essencialmente à chegada de cruzeiros marítimos à cidade de La Spezia, a 30 km por estrada ou 10 minutos por comboio, assim como de excursões provenientes de Florença, Génova, Livorno e Milão.

Segundo o Parque Nacional Cinque Terre, que gere a área Património da Humanidade desde 1999, chegam anualmente a este território cerca de 2,5 milhões de turistas. Efetivamente, foi possível conhecer melhor o Bem cultural através da reunião com técnicos do Parque Nacional, das visitas às localidades de Manarola e Vernazza, na reunião de trabalho com Daniel Moggia, no contacto com o Presidente do Parque Vittorio Alessandro.

Uma auditoria inopinada a que o Parque esteve sujeito naqueles dias não permitiu uma reunião mais institucional. No entanto, reforçou-se a possibilidade de vir a estabelecer-se um Protocolo de Cooperação numa conversa breve com o Presidente que reconheceu as suas virtualidades (Ver ponto 3).

Na reunião com Daniel Moggia problematizou-se o abandono do cultivo da vinha e a crescente viragem da economia para o turismo, o que até pode provocar a desclassificação do Bem.

Atenção: notou-se que há técnicos do Parque que são vitivinicultores! Quando se questionou o Daniel sobre de que viviam as pessoas, ele respondeu: – Essencialmente, do turismo. Ganha-se mais a vender garrafas de água do que a cuidar da vinha e fazer vinho.

A partilha de experiências fez-se na reunião acima referida, na visita a locais, vinhas, à cooperativa (produz e tem postos de venda), nas filmagens e em reportagens realizadas – veja-se a reportagem  preparada por Sílvia Brandão e Simão Martinho e transmitida pela RTP em vários momentos, no Jornal da Tarde, no Portugal em Direto e RTP I no dia 9 de dezembro de 2016.

O turismo é a principal atividade económica: A loja que visitámos da cooperativa mostra como a atividade está virada para o turismo. O edificado, igrejas e habitações, são também objeto de visita. Os turistas viam-se espalhados um pouco por toda a parte.

Dos 2,5 milhões de visitantes que Cinque Terre tem por ano, 200 000 ficam pelo menos uma noite. No território do Parque há 160 alojamentos B&B. Cinque Terre beneficia do facto de La Spezia receber navios de cruzeiro – 300 000 visitantes.

Destes, entre 50 a 70% deslocam-se ao território do Parque através de caminho-de-ferro, que liga esta cidade à de Levanto, com bastante frequência durante o dia, como pudemos constatar. De Génova, informaram-nos, também há turistas de cruzeiro que visitam Cinque Terre.

Na reunião de trabalho, dia 8 à noite, com Matteo Perrone e a esposa, ambos técnicos do Parque Nacional de Cinque Terre, foi feito um convite para integrar uma candidatura ao Horizonte 2020 sobre “Rede Europeia de Regiões Vinhateiras, tendo o património cultural como motor de desenvolvimento sustentável”. Ficou de enviar, posteriormente, um draft sobre a candidatura, o que já fez. Tanto na reunião como depois, a proposta mereceu boa aceitação por parte dos participantes.

Relativamente ao estabelecimento de um Protocolo de Cooperação, o Presidente do Parque manifestou recetividade a um protocolo genérico com a Douro Generation. Matteo Perrone concretizou já esta possibilidade de cooperação com este convite para um projeto concreto.

O estudo proposto e ainda em fase de candidatura, pretende com base nos modelos de gestão de algumas regiões vitivinícolas de Montanha, tais como Região de Piemonte (Leader partner), Açores, Tokay, Rioja,
Champagne, e 5 Terre, elaborar roteiros técnicos e sociais com o potencial de poder regenerar outras  regiões vitivinícolas de montanha mais deprimidas, replicados depois em regiões menos desenvolvidas, tais como: Creta (Grécia), Chipre, Pantelleria (Itália) e Catalunha (Espanha).

As respostas do Professor Artur Cristóvão (UTAD) e do Eng José Manso (ADVID) são positivas, com o objetivo de o Douro poder ser também uma das regiões de referência para a elaboração dos referidos roteiros.

ANTÓNIO MARTINHO – Presidente da Direção da Douro Generation
CARLA SANTOS – Secretária da Direção da DG
CARLOS CARVALHO – Presidente da Câmara Municipal de Tabuaço e da Direção da Wine Villages
ARTUR CRISTÓVÃO – Vice-Reitor da UTAD
JOSÉ MANSO – Presidente da Direção da ADVID e da Assembleia Geral da Douro Generation
NUNO PINTO AUGUSTO – Diretor Executivo do Régia Douro Park
SÍLVIA BRANDÃO – Jornalista da RTP
SIMÃO MARTINHO – Repórter da RTP