A 03 de junho de 2017 a Douro Generation e a Rede de Aldeias Vinhateiras do Douro proporcionaram a realização do seminário “E lhe chamam a nova corte: a música no projecto de administração colonial iluminista do Morgado de Mateus em São Paulo (1765-1774)”, por Rui Vieira Nery. O evento decorreu na Casa de Mateus, no âmbito das iniciativas “Caminhos de Mateus” e “World Generation Week”.

Este seminário foi cofinanciado pelo Norte 2020 no âmbito do projeto “Douro em Movimento, Aldeias com Vida”.

Biografia

Rui Vieira Nery nasceu em Lisboa em 1957 e iniciou os seus estudos musicais na Academia de Música de Santa Cecília, prosseguindo-os no Conservatório Nacional de Lisboa. Licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa (1980), doutorou-se em Musicologia pela Universidade do Texas em Ausitn (1990), que frequentou como Fulbright Scholar e bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Professor Associado da Universidade Universidade Nova de Lisboa, orientou um vasto número de mestrados e doutoramentos em universidades portuguesas, espanholas e francesas. É investigador do Instituto de Etnomusicologia – Centro de Estudos de Música e Dança e do Centro de Estudos de Teatro. Na Fundação Calouste Gulbenkian foi Diretor-Adjunto do Serviço de Música (1992-2008) e Diretor do Programa Gulbenkian Educação para a Cultura (2008-2012), e é presentemente Diretor do Programa Gulbenkian de Língua e Cultura Portuguesas (desde 2012).

A segunda etapa do ciclo de concertos “Caminhos de Mateus – Aldeias com Vida” ocorrereu em 2017 com mais programas dedicados aos caminhos percorridos pela música no século XVIII: sendo dois dedicados aos repertórios do tempo do 4º Morgado de Mateus, D. Luis António de Sousa Botelho Mourão (1722 – 1798), governador da capitania de São Paulo no Brasil entre 1765 e 1774, assim como uma homenagem ao grande trabalho realizado por seu filho e 5º Morgado de Mateus, D. José Maria de Sousa Botelho Mourão e Vasconcelos (1758 – 1825), responsável pela edição monumental em 1817 de Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões.

O primeiro programa, A Música no Tempo de D. Luís António, 4º Morgado de Mateus, apresentado pelo agrupamento Americantiga acompanhado da soprano solista Sandra Medeiros, propõe uma digressão musical contemporânea à vida de D. Luis António, 4º Morgado de Mateus, com a música instrumental e de ópera produzida e representada em Portugal e no Brasil que moldaram a evolução do gosto na corte portuguesa durante os reinados de D. João V, D. José I e D. Maria I.

O segundo programa, apresentado pelo Quarteto Atégina, compõe-se de quartetos de cordas de dois compositores que ajudam a contar os caminhos da música instrumental em Portugal e Espanha na segunda metade do séc. XVIII. Serão apresentados quartetos de Luigi Boccherini (1743 – 1805), compositor italiano desde 1761 ao serviço da corte de Madrid e do lisboeta João Pedro de Almeida Mota (1744 – 1817) que, por ter feito sua carreira também em Espanha, ainda é pouco conhecido do público português.

Como terceiro programa, o Trio Alter-Natives apresenta o espectáculo “Fatal Tormenta” que propõe a ideia de uma viagem atribulada e exótica que une declamação e improvisação vocal e instrumental sobre textos poéticos de Luís Vaz de Camões e música de seu tempo.

No último fim de semana, António Carrilho e Helena Marinho apresentam o seu recital de Flauta de Bisel e Cravo e, a finalizar, numa colaboração com o Conservatório Regional de Música de Vila Real, Caminhos de Mateus acolhe o Concerto de Laureados do Prémio Elisa de Sousa Pedroso, concurso anual de interpretação dedicado às modalidades de Piano e Violino.

Saiba mais sobre o programa Caminhos de Mateus 2017 aqui.